No quarto dia de julgamento do Caso Eliza Samudio, nesta
quinta-feira, 21 de novembro, às 14h30, a juíza Marixa Fabiane Lopes
Rodrigues, titular do Tribunal do Júri de Contagem, deu prosseguimento à
fase de interrogatórios dos réus com a oitiva de Fernanda Gomes de
Castro. O outro réu que está sendo julgado neste momento, Luiz Henrique
Romão (Macarrão), foi interrogado por cinco horas seguidas entre a noite
de ontem e a madrugada desta quinta-feira. O julgamento acontece no
Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem.
Fernanda está sendo acusada pelos crimes de sequestro e cárcere
privado em relação à vítima Eliza Samudio e seu filho, Bruno Samudio.
Logo no início do interrogatório, que durou três horas, a ré negou as
acusações. Contou que na primeira semana de junho de 2010 ela estava
hospedada na casa do goleiro Bruno Fernandes, no bairro Recreio dos
Bandeirantes, na cidade do Rio de Janeiro. Havia ido até lá para
conhecer familiares do goleiro. Na noite do dia 4 de junho, Fernanda
disse que já estava na própria casa dela, quando, por volta das 21
horas, Macarrão ligou pedindo que ela retornasse à casa de Bruno, mas
não quis dizer o motivo.
Ao chegar na casa do Bruno, Fernanda afirmou que foi informada por
Macarrão dos seguintes fatos: que Macarrão tinha ido encontrar com
Eliza, para tentar negociar com ela, que vinha pedindo dinheiro ao
goleiro. O então menor Jorge, primo de goleiro, estaria junto e, em
função de uma discussão entre o menor e a mulher, dentro do carro, Jorge
teria agredido Eliza. Macarrão contou também à Fernanda que, naquele
momento, perguntou à Eliza, que sangrava o nariz, se ela preferia ir
embora ou se queria se dirigir à casa de Bruno Fernandes. Eliza teria
optado por ir para a casa do goleiro. Macarrão teria dito que estava com
receio de Eliza procurar novamente a mídia e, com isso, prejudicar a
carreira do Bruno.
Segundo Macarrão, o bebê Bruninho estava chorando e Eliza estava com
dor, por isso ele precisava da ajuda de Fernanda, já que sairia para
comprar remédios e tinha receio de Jorge e Eliza começarem a brigar
novamente. Fernanda afirmou que Macarrão entregou o bebê para ela, que
cuidou da criança, enquanto Eliza permaneceu num quarto fechado. A ré
não soube dizer se a porta estava trancada. Macarrão teria dito à ré que
Eliza estava com dor de cabeça, e por isso Fernanda recebeu o bebê das
mãos de Macarrão e permaneceu com o bebê por toda a noite. Só viu Eliza
pela manhã, conversando com Macarrão e Jorge. Bruno chegou pela manhã –
passara a noite na concentração. Tão logo chegou, segundo Fernanda, o
goleiro conversou a portas fechadas com Macarrão e, em seguida, também a
portas fechadas, com Eliza. No mesmo dia, todos seguiram para Belo
Horizonte, em carros separados: Fernanda e Bruno seguiram numa BMW;
Macarrão, Jorge, o bebê e Eliza numa Land Rover.
Viagem para Belo Horizonte
Pararam no percurso por duas vezes – em um posto de gasolina e numa
lanchonete. Em um pedágio, Bruno deu carona a um policial, que desceu do
carro nas imediações da entrada de Juiz de Fora. Em seu relato, a ré
disse que, já em Belo Horizonte, Bruno e ela teriam seguido para a casa
da mãe dele, onde passariam a noite. Ao chegarem lá, Fernanda, ainda no
portão, foi apresentada a Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro,
assassinado em agosto deste ano. Passariam a noite ali, mas Bruno teria
desistido da idéia por desconfiar de que sua ex-mulher, Dayanne estava
na casa. A fim de evitar confusão, decidiram sair. Ele a convidou para
conhecer o bairro onde havia crescido. Percorreram ruas, depois pararam
num bar, onde ficaram até 7 da manhã, seguindo, depois, para um motel.
Sérgio teria ido para o local com eles, mas dormiu no carro. O casal foi
acordado no quarto por Macarrão, que contou estarem todos os demais –
Eliza, o bebe, Macarrão e Jorge – hospedados no mesmo motel.
Durante o interrogatório, Fernanda afirmou, ainda, que do motel
seguiu para a casa da mãe de Macarrão e em seguida foi assistir ao jogo
de futebol do time 100%. Em seguida, para um bar e, por fim, para o
sítio. Segundo ela, foi a única vez que esteve no local. Eliza também
teria assistido ao jogo com o bebê, mas as duas mulheres não estavam
próximas, embora tenham se falado algumas vezes durante o jogo. Na manhã
seguinte, Fernanda voltou de carro, com Macarrão, para o Rio de
Janeiro.
Promotoria
Ao ser interrogada pelo promotor de justiça Henry Vasconcelos de
Castro, Fernanda foi confrontada com registros de ligações que teriam
realizado, na noite de 4 a 5 de junho, para o celular de Jorge. Segundo
a ré, ela ligava para o então menor várias vezes por dia, pois ele
tinha problemas com drogas. Respondendo ao promotor, Fernanda disse que
não se recorda de ter visto Jorge machucado, com os braços “rasgados de
unhas”. Disse que em nenhum momento escondeu o rosto para não ser
reconhecida por Eliza. Afirmou, também, que prestou declarações ao
delegado Edson Moreira e a uma ou a ambas as delegadas Ana Maria dos
Santos e Alessandra Wilke.
Fernanda afirmou ao promotor que, durante os interrogatórios, estava
acompanhada do advogado Ércio Quaresma e também se encontrava lá uma
advogada da OAB de nome Cíntia. Perguntada se alguém pediu para que ela
mentisse, Fernanda, após intervenções de seus advogados, disse que não
responderia à pergunta. Em seguida, afirmou que estava muito nervosa e
apreensiva durante os interrogatórios da fase policial, por isso mentiu,
mas que depois, em juízo, decidiu dizer a verdade à juíza Marixa
Fabiane e ao promotor de justiça Gustavo Fantini. Fernanda afirmou que
em juízo disse a verdade, relatando tudo o que sabia e tudo que lhe foi
perguntado.
Medo
A ré afirmou que mentiu por sentir medo, ao ver o nome dela, que não
seria inocente, ser veiculado na mídia, a todo momento, sendo ela mãe de
dois filhos adolescentes. Além disso, ela fazia parte de grupo de
adolescentes de uma igreja. Declarou que mentiu para se proteger, e que
foi presa em 5 de agosto, na casa da mãe de Macarrão, em Ribeirão das
Neves. Não sabe afirmar quem a envolveu na história, pois foi Macarrão
que fez ligação para ela, no dia 4 de junho, mas não sabe se ele o fez
sob orientação de Bruno. Por fim, contou que logo que começou a se
relacionar com Bruno, ficou sabendo da existência de Eliza e do bebê.
Mas não sabia sobre agressões anteriores de Bruno contra Eliza e da
tentativa de aborto.
O assistente de acusação, Cidnei Karpinski, perguntou quando ela
conheceu Macarrão, e ela afirmou que foi cerca de 15 dias após conhecer
Bruno, e que de fato ele resolvia todas as coisas da casa e de aspectos
da vida pessoal do goleiro. Eliza teria comentado com Fernanda, na manhã
de 5 de junho, que Macarrão comunicou que ele e Bruno arrumariam um
apartamento para ela morar em Belo Horizonte.
Interrogada pela advogada Maria Lúcia Borges Gomes, representante de
Sônia Moura e Bruninho, respectivamente mãe e filho de Eliza, Fernanda
afirmou que, pela calma que Eliza aparentava, não desconfiou de nada e
não percebeu nenhuma alteração no estado emocional do Bruno, naqueles
dias. Viu Eliza pela última vez na segunda-feira pela manhã, quando
estava para retornar ao Rio com Macarrão. Eliza estava com o bebê no
colo, numa área externa do sítio. Disse que só ficou sabendo
efetivamente da execução de Eliza ontem, durante as declarações de
Macarrão, que teria visto hoje pela imprensa.
Defesa
Respondendo a perguntas de sua advogada, Carla Silene, contou que a
casa da mãe dela foi invadida por policiais armados; que foi orientada
pelo advogado Ércio Quaresma a participar do programa da apresentadora
Ana Maria Braga; que quando procuravam Bruno, também teve o apartamento
invadido por policiais armados; que antes de ser preso por esse
processo, o advogado do Bruno no Rio de Janeiro era Miguel Assef; que
reside no bairro Santa Cruz e que freqüenta a Igreja no mesmo bairro.
Trabalha como secretária em um escritório de advocacia. Reconhece que as
declarações prestadas no programa da Ana Maria Braga lhe trouxeram
muitos prejuízos.
Fernanda contou que Bruno Fernandes afirmou que levaria ela e o filho
dela para Itália, quando fechasse contrato com time de futebol naquele
país.
O advogado Lúcio Adolfo, recém designado para defender o goleiro
Bruno, fez uma única pergunta à Fernanda: se ela teria recebido alguma
proposta de acordo do promotor de justiça para minorar a acusação contra
ela. A ré afirmou que não.
Jurados
Quando foram abertas as perguntas dos jurados, Fernanda fez os
seguintes esclarecimentos: que retornou ao Rio de Janeiro com Macarrão
em uma BMW; chegaram de viagem por volta das 19 horas; que não viu se
Eliza carregava com ela alguma bagagem, no trajeto do Rio para Minas;
que macarrão teria dado carona, até o centro de Belo Horizonte, para
Coxinha (o réu Wemerson Marques de Souza) e duas meninas que também
estavam no sítio.
A sessão de julgamento foi suspensa às 17h40 e será retomada na sexta-feira, dia 23 de novembro, às 9 horas.
Outros réus
Bruno Fernandes das Dores de Souza, sua ex-mulher Dayannne Rodrigues
do Carmo de Souza e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos
(Bola), que tiveram o processo em relação a eles desmembrado, serão
julgados em 4 de março de 2013.
A data para o julgamento dos dois outros réus do Caso Eliza Samudio,
Elenilson Vítor da Silva e Wemerson Marques de Souza, que também tiveram
o processo em relação a eles desmembrado, ainda será definida.
Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Unidade Goiás
(31) 3237-6494
ascom@tjmg.jus.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário