Lei de prevenção a incêndio é suspensa
O juiz da 5ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal, Ronaldo
Claret de Moraes, concedeu liminar ao Sindicato do Comércio Varejista de
Gêneros Alimentícios de Belo Horizonte (Sincovaga) e suspendeu os
efeitos da Lei Municipal nº 10.389/2012, que obrigava diversos
estabelecimentos comerciais da capital a implantar unidades de combate a
incêndio e de primeiros socorros, compostas por corpo de bombeiros
civis. Essa lei havia entrado em vigor no último dia 12 de julho.
A lei, publicada em janeiro desse ano, determina que shoppings, hipermercados, lojas de departamentos, campi universitários, casas de shows
e espetáculos e qualquer estabelecimento que receba grande concentração
de pessoas, em número acima de três mil, mantenham uma unidade de
combate a incêndio e de primeiros socorros.
Entre as exigências estabelecidas pela Lei 10.389/2012 para
organização da unidade de combate a incêndio, estão a necessidade de
equipamentos de salvamento e primeiros socorros em um local específico,
além de equipe formada por bombeiros civis com formação técnica em
combate a incêndios, com nível médio e superior. As penalidades
previstas para o descumprimento da lei são multa de R$ 5 mil e cassação
do alvará de funcionamento.
O Sincovaga alegou que a referida lei municipal, por estar relacionada à segurança pública, deve ser cumprida pelo Estado.
Ao analisar o pedido e decidir, o juiz Ronaldo Ronaldo Claret de
Moraes apoiou-se em alguns artigos das Constituições Federal e Estadual.
O juiz destacou que a previsão constitucional determina que a segurança
e a manutenção da ordem pública, incluindo-se as atividades de defesa
civil, sejam executadas pelas Polícias Civil e Militar e pelo Corpo de
Bombeiros.
O magistrado também frisou que o artigo 137 da Constituição Estadual
de Minas Gerais estabelece que "a Polícia Civil, a Polícia Militar e o
Corpo de Bombeiros Militar se subordinam ao Governador do Estado".
Ainda, com base nessas legislações, o juiz concluiu que o município
não tem competência legislativa para determinar a obrigatoriedade da
manutenção de uma unidade de combate a incêndio e de primeiros socorros
em estabelecimentos comerciais.
O juiz deferiu a tutela antecipada para suspender as exigências
impostas às empresas representadas pelo sindicato, bem como possíveis
penalidades a elas impostas pelo município de Belo Horizonte, até o
julgamento final do processo.
Por ser de primeira instância, essa decisão está sujeita a recurso.
Assessoria de Comunicação Institucional - Ascom
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Processo: 024 12062054-7
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